André Miguel Santos

O natal para mim é sinónimo de família reunida no chão. Sim, no chão. E era assim, sentados em mantas e colchas, que fazíamos todas as refeições e onde se abriam as prendas cá em casa. Não havia desculpas para ninguém: mesmo quando o espaço era pouco todos se sentavam no chão. Os tempos eram outros e na ausência do mundo digital esta brincadeira aproximava-nos. A imaginação era o único recurso disponível para quebrar o tédio e isso obrigava toda a minha família a uma reinvenção permanente. Ora jogava-se às cartas, ora brincava-se às imitações, ora petiscava-se pão com manteiga, ora dormitavam os mais cansados. Cresci com esta tradição e hoje sou eu que a mantenho. Porque ser gente grande é também esta tradição de saber ser pequenino.